quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Jeito Feminino de Ser

Li muitos livros sobre ascensão da mulher no mundo empresarial, alguns muito interessantes, outros bem fracos e repetitivos. A maioria possui um ponto em comum que eu não gosto muito: incentivam a masculinização da mulher no ambiente de trabalho.


Convivi até com uma vendedora que se recusava a pintar as unhas porque, segundo ela, "unhas bem feitas dão a impressão que você é frágil". Frágil porquê? Alguém consegue um argumento realmente consistente para fazer a ligação desta informação?


Voltando aos conselhos dados nos livros: 
- "você não pode ter cabelos longos"; 
-"não pode usar maquiagem"; 
- "não pode usar cor rosa porque é uma cor feminina", 
- "não pode utilizar nem ter em sua mesa acessórios femininos". Resumindo: "Você pode até trabalhar para mim mas transformem-se em um homem!"


Acredito que a grande culpa desse machismo persistir ano após ano vem, em partes, da própria mulher.  E eu digo que a culpa vem delas porque muitas mulheres sabotam a si mesma quando assumem uma postura mais máscula. Outras porque são femininas mas assumem posturas extremamente infantis, como se o trabalho fosse extensão do colégio, da faculdade, da casa do pai.


Por muito tempo eu realmente dei ouvidos e me preocupei demais com essas questões ligadas a aparência e à seriedade.  Não por me achar infantil, mas porque tenho uma cara de menina que as vezes me atrapalha demais na hora de conseguir emprego. 


Apesar de ter meus vinte e todos anos, meu rosto de dezoito (para não dizer dezesseis) me faz parecer, dependendo da roupa social que uso, que peguei emprestada da minha mãe. 


E para "agravar" tenho um jeito alegre, simpático, sem "tempo ruim" com nada e, quando posso, brincalhão. Perfil que é totalmente valorizado nos homens mas que, sabe-se Deus porquê, é sentença de morte quando visto nas mulheres.  


Por causa dessas coisas sempre me preocupei demais na maneira de me vestir, nos acessórios que fosse usar, até na cor de esmalte que deveria passar! (Lembra que critiquei a vendedora lá em cima?)

Sempre escondi minhas redes sociais porque tinha medo que me julgassem pelas coisas que escrevo, pelas opiniões, pelas brincadeiras.


Até fiz meu primeiro cartão de visitas em uma cor neutra, azul-verde-água, só para causar boa impressão. Também tive esperança que ao usar óculos fosse parecer mais séria, mas ao contrário, todos me falaram que fiquei "fofa", rs. 


No fim desisti dessa luta contra a minha "feminilidade". Eu gosto de parecer feminina, de usar acessórios femininos, de usar a cor rosa. É o meu estilo, sou feliz assim. Isso não me faz menos capaz que outra pessoa, pelo contrário, pessoas felizes produzem mais.


Pelo menos sempre fui considerada gênio por ex-chefes, amigos, colegas de faculdade e trabalho. Segundo todos: tenho as melhores idéias, tudo que toco vira ouro, tenho visão, planejamento, sou competente pra caramba, sou comprometida, não perco tempo com fofocas, tomo decisões, sou pró ativa, resolvo problemas ao invés de criá-los, faço certo na primeira vez e tenho dom de fazer as pessoas se unirem e um incrível dom de conseguir que os outros façam de boa vontade as coisas que eu peço... =)

Nunca fui demitida, nunca sequer me chamaram atenção. Para mim seriedade e competência nada tem nada a ver com frieza, mal humor e privação. 


Tenho noção de que sou alvo de preconceito ainda, mas eu quero sempre poder ser eu mesma... e se a política da empresa que quiser me contratar não pensar dessa forma... não serve para receber uma profissional como eu. Simples assim.

"As mulheres trazem em sua natureza o espírito cooperativo, a flexibilidade, a percepção das necessidades dos outros,  a capacidade de agregar pessoas e o uso da instituição, características valorizadas cada vez mais em empresas modernas".
Lois P. Frankel - autora do livro Mulheres Ousadas Chegam mais longe - que defende que a mulher não deve ser masculina mas assumir uma postura firme.


Ver também 
www.julicavallini.com