domingo, 12 de outubro de 2008

Relacionamentos...

Hoje venho postar um texto de minha autoria. Baseei-me em coisas que observei ao longo dos anos, quero deixar claro que não há nenhum tipo de indireta ou mensagem subliminar nas linhas que se seguem.


Li em vários artigos de revistas femininas, sites, colunas em jornais, programas de tv e qual outro meio de comunicação que você quiser inserir, que um relacionamento é constituído de fases. Eu sempre achei isso uma pura besteira. Ora, como esses que se dizem especialistas podem rotular uma relação de pessoas. Pessoas, minha gente, são seres únicos, cada um tem personalidades, idéias, gostos diferentes, diferenças essas que acabam nos tornando todos iguais. Todos somos diferentes, embora isso torne o ser-humano tão interessante, ao mesmo tempo torna-o chato, a ponto de todos irmos procurar alguém que se assemelha à nós mesmos. Nos identificamos com aqueles que gostam da mesma banda, que gostam de assistir o mesmo tipo de filme, que gostam das mesmas atividades, e aí formamos nosso círculo social. Às vezes, nos atraímos por pessoas diferentes da gente, "os opostos se atraem", mas eu te pergunto: eles duram? Amigos e conhecidos sempre confiaram em mim para contar seus problemas com seus relacionamentos, os momentos felizes e aqueles de profunda mágoa. Foi então que comecei a perceber um certo padrão em todas as histórias e passei a concordar com esses especialistas.


Um relacionamento pode começar de várias formas, isso, nenhum especialista pode rotular. O casal pode ter uma amizade de anos, de meses, semanas ou dias, podem ter se conhecido e já ter iniciado algo, de qualquer maneira, a maior parte dos relacionamentos iniciam-se com o surgimento de um sentimento arrebatador, que não nos deixa dormir, ou nos faz acordar muito cedo, que nos faz sonharmos acordados, esquecermos da nossa vida para se querer apenas estar com aquela pessoa que te deixa tão atordoado: a paixão.


Todos nós temos um sonho, crescemos com vários conceitos e desejos. Li uma vez num artigo que tendemos até a escrever um roteiro de um relacionamento na nossa cabeça, esperamos receber flores no aniversário, ou sermos levados para jantar no aniversário de namoro, ganharmos aquele presente que tanto queremos, mas que nunca contamos pra pessoa amada, esperando que ela adivinhe. Quando conhecemos alguém, a primeira coisa que fazemos é idealizar todos esses desejos, é colocar a pessoa como personagem principal do nosso roteiro, e é aí que a paixão surge. Você só consegue enxergar qualidades, é impossível existir algum defeito, a pessoa é simplesmente perfeita, você até pode enxergar coisinhas mínimas, mas não acredita que aquilo vá interferir em algo, até porque, você acaba tentando esconder aqueles seus defeitos, não quer que a pessoa se decepcione, que a imagem que a pessoa tem de você estrague, então você finge ser o que na verdade não é, para que tudo continue sempre perfeito. O problema, é que manter-se fingindo é desgastante. Você é o que é, não tem jeito, vai chegar um momento em que não haverá mais forças para manter a farsa e toda aquela ilusão se faz fumaça, e a paixão se esvai. De repente, a realidade te dá um soco no nariz, um gancho de direita testa, uma chave de braço no pescoço e por fim, te derruba com uma rasteira. Você percebe que a outra pessoa na verdade não é um ser luminoso, ela é...uma pessoa, com qualidades, claro, mas também, defeitos. Ela não segue nada do seu roteiro imaginário, só sabe improvisar, então, a decepção toma conta de toda aquela alegria que a paixão do começo trouxe. Cuidado!! Não se deixe levar por essa decepção, porque ela é traiçoeira, como não poderia deixar de ser, ela só te deixa ver os defeitos que você não tinha percebido antes, a mágoa que ela traz não te deixa pensar direito e é por isso que muitos relacionamentos não passam de poucos meses, porque ninguém soube ver o que estava além da paixão.


A paixão não dura pra sempre, fato. O que sobra depois desse sentimento avassalador é o que te fez se interessar pela pessoa desde o começo. Pode ser a inteligência, aquele jeito dela sorrir que te deixa tonto, sua articulação (não estou falando de joelhos e cotovelos hein?), o fato dela perceber coisas tão simples, seu talento. Seja o que for, conselho: não deixe que o fim da paixão te deprima, porque paixão e amor são coisas diferentes, quando a paixão sai, quem bate a porta na cara dela é o amor. O amor não é um sentimento avassalador, não te derruba pelos cantos, mas ele é real. É ele que faz você ser atraído pela pessoa pelo que ela é, e não pelo que você idealiza dela. Só temos um problema aqui nesse parágrafo filosófico e cheio de poesia. É que depois de um tempo, esse amor simplesmente é trancado nas entranhas do ser em questão e não é mais demonstrado. Erro número 2 daqueles que querem ter um relacionamento duradouro. O tempo vai passando e pequenas coisas vão se tornando cada vez mais pequenas até deixarem de existir. As mãos já não se encontram num passeio pela rua, a cada filme, cada um vai sentando mais longe até cada um estar em uma ponta do sofá, a célebre frase "te amo", já não é mais ouvida, ou dita, os aniversários começam a ser esquecidos, e coisinhas que a paixão te levava a fazer, simplesmente somem. Tudo bem, não é preciso tentar viver a paixão pro resto da vida, mas resgatar essas coisinhas é sempre muito bom. Afinal das contas, o que difere o seu relacionamento de uma amizade, se tudo o que sobrou depois da paixão foi o status de "namorando" e o fato de você não poder beijar mais ninguém? Bem, nesse caso, você me responderia que o beijo é a diferença, mas você pode ter um amigo colorido, ou o moderno "ficante".


Ninguém está te falando pra ser um personagem de contos de fada, e isso aqui não é uma reclamação de uma mulher romântica. Se alguma mulher disser que não gosta de romance, acredite, ela está mentindo! Os homens tendem a confundir romantismo com aquelas coisas meladas, como uma serenata na janela da amada, ou aqueles carros de mensagens que passam pelo seu bairro te fazendo pagar mico. Eu sei que você, homem, não gosta disso, e nós mulheres também achamos esses eventos bregas, breguíssimos, para enfatizar. Mas gostamos de receber flores, de receber um cartão onde vocês descrevem o quanto gostam de nós e porquê. Homens tem mania de se perguntar que graça tem receber flores que em dois dias vão murchar. Pode-se dizer que o pólen contidos nas flores, quando passam pelas narinas femininas, entram em contato com a serotonina do cérebro, que libera endorfinas que nos deixam felizes. Entendeu?? Ahhh é gostoso e pronto! Precisa de mais explicação que isso? No final das contas, o que eu estou tentando dizer aqui é que saber que a pessoa gosta de você é a coisa mais gostosa do mundo, então, qual o problema de demonstrar isso? Na minha opnião, o que mantém um relacionamento vivo são essas demonstrações, que não precisam ser grandes, aliás, eu acho que é nas pequenas que a gente mais enxerga o verdadeiro sentimento: num sorriso, num olhar, num abraço, e melhor ainda, num beijo.

O que é mais comum de se ver em revistas femininas são fórmulas de como se manter um relacionamento. Vi um que dava dicas para os homens de como fazer o dia de uma mulher mais feliz. Tinha uma em especial que dizia: "se a sua parceira está com algum estresse no trabalho, tente salvar o dia dela" alguma coisa desse tipo, dizendo para o homem tentar solucionar o problema dela, então parei para pensar em todas as cenas de filmes, ou partes de um livro em que o homem e a mulher podem passar o tempo todo se odiando, mas na hora em que ele corre pra salvá-la de uma situação perigosa, todo aquele ódio de um pelo outro se transforma em amor. Fiquei divagando no porque desse clichê, e cheguei à conclusão de que o motivo é simplesmente o fato de homem demonstrar ali naquele momento, que se importa com a protagonista, e claro, porque ele é um bonitão fortão, mas deixando esse fato de lado, nós mulheres suspiramos nas cenas em que o homem corre atrás da mocinha quando ela está indo embora, quando ele fica com ciúmes quando o secundário fica fazendo insinuações para ela, ou quando ele realiza um desejo dela, simplesmente porque percebemos com essas atitudes que ele sente algo por ela, ou seja, tudo se resume à isso: sentir que a outra pessoa te ama é uma das coisas mais gostosas do mundo, não importa qual foi a atitude que a pessoa usou para demonstrar. E é aí que está a graça de um relacionamento.


Como eu disse no parágrafo anterior, é costume ver artigos por aí dando fórmulas de como se manter um relacionamento. Eu não pretendo fazer isso aqui, afinal, cada relacionamento e as pessoas que estão nele são diferentes, mas, se tem uma dica que eu posso dar, baseada em todas as situações que já observei e que já senti, é essa: não deixe de demonstrar pra outra pessoa o quanto você gosta dela e o quanto você a admira, não precisa exagerar, não precisa alugar um cavalo branco e matar um dragão, mas diga "eu te amo" de vez em quando, preste atenção nos desejos da sua pessoa amada e tente realizá-los, nunca deixe seu relacionamento se transformar numa simples amizade, mas não se esqueça de respeitar os limites e o jeito de ser dela.

Um grande abraço para todos!! =)